O 1º Seminário de Esporotricose e Leishmaniose, realizado pela Secretaria Municipal de Saúde (SMS) nesta sexta-feira (18), reuniu mais de 100 profissionais da Saúde, Vigilância em Saúde e Agentes de Combate às Endemias no Bloco Cultural, não apenas de Cubatão, mas também de outras cidades da Baixada Santista, como Santos, São Vicente e Mongaguá.
O diretor-técnico do Grupo de Vigilância Epidemiológica do governo do Estado para a Baixada Santista, Dalton Fonseca, destacou a oportunidade de atualização das equipes técnicas sobre essas duas doenças em meio à atualidade das mudanças climáticas: “A mudança climática favorece o aumento da temperatura e da umidade e favorece o ciclo de reprodução dos agentes etiológicos da esporotricose e da leishmaniose”.
Durante a palestra “Aspectos do Aquecimento Global – One Health e a Esporotricose/Leishmaniose”, as professoras da Faculdade de Medicina da Universidade São Judas Tadeu (USJT) Laura Cecatto e Tiana Moreira confirmaram que já existem estudos que comprovam o impacto das mudanças climáticas na expansão da leishmaniose em para regiões como o Sul do Brasil ou no norte da Europa e dos Estados Unidos: “O aumento da temperatura faz o mosquito transmissor se adaptar a novos lugares”, conta Tiana Moreira. Há indícios também de que o aumento da umidade causado pelo excesso de chuvas favores a multiplicação do fungo que causa a esporotricose.
Vigilância Climática – As expositoras mostraram que já existem modelos que permitem prever de 3 a 12 meses de antecedência a incidência de surtos de leishmaniose a partir da identificação de anomalias em regimes de chuvas, a exemplo do Marrocos, onde a detecção de alterações no Atlântico Norte entre as ilhas de Açores e a Islândia impactam a flora e a fauna no Norte da África de forma que promove a multiplicação do mosquito transmissor e a possibilidade de surtos aparecerem um ano depois. Nesse período, as autoridades sanitárias podem tomar medidas preventivas para evitar aumentos no número de casos.
Esse processo reúne quatro etapas: avaliação de vulnerabilidade, monitoramento ambiental, previsão de risco e resposta integrada. As palestrantes lembram que para a Copa do Mundo de Futebol realizada no Brasil em 2014, as autoridades mostram um modelo de predição relacionado à dengue.
Seminário – Sob coordenação do Serviço de Controle de Zoonoses, o seminário contou também com os seguintes temas: “Epidemiologia e Clínica da Esporotricose e da Leishmaniose” com o infectologista e professor da USJT, Evaldo Stanislau Affonso de Araújo; “Diagnóstico Laboratorial da Esporotricose e Leishmaniose” com a professora da USJT Ana Paula Freitas; “Terapia Ambulatorial da Esporotricose e Leishmaniose”, com o professor da USJT André Cortez; “Vetores, vigilância e aspectos epidemiológicos”, com Maria de Fátima Domingos, do Instituto Pasteur e da SUCEN (Superintendência de Controle de Endemias); “Educação em Saúde para esporotricose e leishmaniose”, com Márcia Regina Delgado, do GVE-Santos; e “Aspectos operacionais do manuseio da Esporotricose e Leishmaniose”, com Renata Moreira F. Azevedo, do Serviço de Controle de Zoonoses de Cubatão.
Diferenças – A Esporotricose é uma micose subcutânea crônica provocada por fungos do gênero Sporothrix e é transmitida por meio de traumas na pele com material vegetal contaminado ou pelo contato com arranhões, mordidas ou secreções de gatos infectados. Começa com um pequeno caroço (nódulo) que pode virar uma ferida ou úlcera, muitas vezes formando uma linha de novos caroços subindo pelo braço ou perna (acompanhando os vasos linfáticos).
A Leishmaniose é uma doença infecciosa causada por protozoários do gênero Leishmania. É transmitida pela picada de insetos pequenos chamados flebótomos ou mosquitos-palha. Apresenta-se tipicamente como uma úlcera na pele com bordas elevadas e fundo granuloso, de evolução lenta.
Por: Secom Cubatão-SMS/AA
Foto: Secom Cubatão/TB











