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Cubatão inspira a moda: Estúdio Traça, de São Paulo, apresenta Zanzalá, coleção sobre a cidade e ficção científica de Schmidt

Desfile de lançamento aconteceu nesta terça (15). Com 25 looks em jeans do acervo da Levi’s ressignificados, pelo estilista Gui Amorim, desfile cruza o passado industrial de Cubatão com a ficção científica de 1928
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Cubatão, conhecida por sua força industrial e também pelos avanços na recuperação ambiental, segue revelando novas formas de expressar sua identidade. Se a cidade já ganhou destaque pela transformação de sua relação com a natureza e pela produção cultural, especialmente por meio da música e do teatro, agora também chega às passarelas da moda. A cidade natal do estilista cubatense Gui Amorim é uma das principais referências da coleção Zanzalá, apresentada nesta terça-feira (15), em São Paulo, pelo Estúdio Traça, marca de upcycling fundada pelo artista e que atua em parceria com a Levi’s.

Nascido e criado em Cubatão, Gui Amorim levou para a moda elementos que fazem parte de sua própria trajetória e do imaginário construído a partir da cidade. A paisagem marcada pelo contraste entre o polo industrial, a Serra do Mar e a natureza que se regenerou aparece como referência direta na coleção. Para o estilista, essa convivência entre indústria, transformação e natureza ajudou a formar o olhar que hoje orienta seu trabalho, baseado no reaproveitamento de materiais e na criação de novas possibilidades a partir do que seria descartado.

A coleção reúne 25 looks desenvolvidos a partir de duas referências: a estrutura industrial de Cubatão e a ficção científica brasileira. A inspiração principal vem do livro Zanzalá, escrito por Afonso Schmidt e publicado a partir de 1928 — uma das obras pioneiras do gênero no país, que projetava a sociedade cem anos à frente, coincidindo justamente com a década atual. As peças traduzem o conceito de jeans do futuro por meio do reaproveitamento de tecidos, em um projeto que reforça a parceria de dois anos entre o Estúdio Traça e a Levi’s. Utilizando itens do acervo e estoque disponibilizados pela marca, Gui Amorim assina a desconstrução e o novo corte do material, alterando silhuetas e volumes das peças originais.

“Cubatão carrega esse contraste forte entre o peso do polo industrial ao lado de uma natureza que se regenerou e virou exemplo. Quando li o livro do Afonso Schmidt e vi que ele previa exatamente o tempo que vivemos hoje, soube que a coleção nascia ali”, afirma Gui Amorim, estilista do Estúdio Traça. “Quero que as pessoas sintam esse encontro entre o passado e o futuro, percebendo que aquilo que já foi descartado ainda pode se transformar em algo potente”.

Com a maquiagem como parte da construção visual de Zanzalá, a MAC Cosmetics assina a beleza do desfile, reforçando uma relação com a moda que acompanha a marca desde sua origem. Nascida a partir das necessidades de profissionais de maquiagem e historicamente presente nos backstages, MAC une expertise a produtos de alta performance, pensados para responder às exigências da passarela. A parceria com o Estúdio Traça parte desse olhar compartilhado para a beleza como linguagem e extensão da identidade de cada pessoa.

Criada pela beauty artist Camila Anac como uma extensão do universo de Zanzalá, a maquiagem traz referências à fauna e à flora que marcam a revitalização de Cubatão, com pinceladas quentes e delineados pretos de traços retos e traços ascendentes livres, que remetem à textura das penas dos pássaros. A pele ganha luminosidade e profundidade de acordo com o tom de cada modelo, enquanto os lábios recebem contorno nude geométrico e acabamento glossy. “A ideia foi trazer a força dessas referências para a maquiagem, respeitando cada pele e criando uma beleza que conversasse diretamente com a narrativa da coleção”, explica Camila.

Parceria com o Senac – Essa criação manual dividiu espaço com uma ação pedagógica em parceria com o Senac São Paulo, referência na formação de profissionais de moda. Algumas etapas do processo de criação e desenvolvimento da coleção foram realizadas nos laboratórios da unidade do Senac Lapa Faustolo, com a participação de dez estudantes do curso técnico em Estilismo selecionados. Eles participaram de um workshop com o estilista e com o stylist Marcel Maia para desenvolver propostas com a mesma base de jeans da Levi’s, acompanhando o processo desde a pilotagem e a prova de roupas até a utilização dos looks no desfile da coleção.

Para Claudia Lieko, gerente do Senac Lapa Faustolo, ações como essas permitem que os estudantes vivenciem a realidade profissional com os ensinamentos adquiridos em sala de aula. “Queremos aproximar a escola do mercado de trabalho e proporcionar aos alunos uma metodologia de ensino alinhada às demandas do mundo profissional. Esse é o Jeito Senac de Educar”. O evento também contou com patrocínio Eberle, Mundial Craft, Serge, Punch Master e PactX.

Sobre o Estúdio Traça – O Estúdio Traça é uma marca de upcycling fundada em 2016 pelo designer Gui Amorim, com ateliê no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. Especializado no reaproveitamento de denim descartado pela indústria têxtil, o estúdio transforma resíduos e sobras de produção em peças autorais, com identidade marcada por saias com babados e silhuetas de inspiração futurista. A marca trabalha com parceiros do setor têxtil no reaproveitamento de resíduos e já vestiu nomes como Anitta, Marina Sena, Nah Cardoso e Fernanda Paes Leme. Saiba mais em https://estudiotraca.com/ e @estudiotraca .

Sobre Gui Amorim – Gui Amorim é estilista e fundador do Estúdio Traça. Nascido em Cubatão, no litoral de São Paulo, formou-se em Negócios de Moda pela Universidade Santa Cecília, na Baixada Santista, antes de se mudar para a capital paulista, onde mantém seu ateliê até hoje. Sua trajetória é marcada pela relação com o jeans como matéria-prima principal e pela transformação de peças e materiais descartados pela indústria em criações autorais. Mais sobre o estilista em @guiamorimm .

Por: Secom Cubatão com informações de Victor Moreira 
Fotos: Letícia Yuka e Kaio Amorim (cedidas)