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Simpósio sobre esclerose múltipla reúne especialistas e pacientes em Cubatão, nesta segunda-feira (31)

Fechando a programação do ‘Agosto Laranja’ na Baixada Santista, encontrou levou informação técnica e experiências de vida
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A Cidade de Cubatão recebeu, na manhã desta segunda-feira (31), o V Simpósio de Esclerose Múltipla, no Bloco Cultural. Com o tema Esclerose múltipla sem mistérios: informação e qualidade de vida, a programação encerrou uma série de ações promovidas na região pela Associação do Litoral Paulista de Amigos, Pessoas com Esclerose Múltipla, Doenças Desmielinizantes e Atípicos (Alsapem), como parte do Agosto Laranja, campanha nacional de conscientização. Em Cubatão, o evento contou com a parceria do Conselho Municipal da Condição Feminina e da Secretaria Municipal de Saúde. O Prefeito César Nascimento acompanhou a abertura dos trabalhos e agradeceu aos organizadores pela realização de evento em Cubatão.

O encontro reuniu profissionais da saúde, estudantes, pacientes, familiares e instituições ligadas à doença, em uma manhã dedicada à informação, troca de experiências e ao fortalecimento da rede de cuidado. Durante a solenidade de abertura, a presidente e fundadora da Alsapem, Ana Bernarda, compartilhou sua experiência e reforçou a importância da informação e do acolhimento. “Infelizmente tive um diagnóstico tardio de esclerose múltipla, com danos irreversíveis, como não conseguir andar. Então, é necessário que a gente percorra os municípios da nossa região para divulgar e orientar profissionais e possíveis pacientes”, declarou.

Por sua vez, a coordenadora orientacional da Sociedade Brasileira Caminho de Damasco (SBCD), que presta serviço à Cidade de Cubatão na área da saúde, ressaltou que ampliar o conhecimento sobre a doença também é uma forma de cuidar. “Quanto mais preparados estivermos, mais precocemente podemos reconhecer os sintomas e orientar os pacientes devidamente”.

A diretora de Atenção Básica à Saúde, Jussara Milheiro, destacou o papel dos agentes comunitários, pela proximidade com a população e, às vezes, por serem os primeiros profissionais a ter contato. “Formam o elo mais importante, que pode ajudar no diagnóstico precoce”, declarou, informando que cerca de 40 mil pessoas em todo o Brasil são diagnosticadas com a doença. De acordo com a Alsapem, em Cubatão há o registro oficial de 56 pacientes diagnosticados.

Em seguida, a primeira palestra foi com a neurologista Natasha Cutolo, do ambulatório de doença desmielinizante da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes). A médica explicou o que é a esclerose (EM), os sintomas e a importância do diagnóstico precoce. “A esclerose múltipla ocorre quando o sistema imune, por engano, ataca a mielina, a ‘capa’ protetora dos nervos no cérebro e na medula espinhal, causando sintomas diversos dependendo da lesão no paciente”. De acordo com a especialista, a doença atinge mais mulheres (três para cada homem), a faixa etária mais comum para o início dos sintomas fica entre 20 e 40 anos, e a maior incidência é em populações caucasianas e de regiões de alta latitude, especialmente no Hemisfério Norte. “A causa ainda é desconhecida, mas a ciência aponta que a EM resulta de uma combinação da predisposição genética ativada por fatores ambientais, como baixa exposição solar e, consequentemente pouca vitamina D, tabagismo e infecções virais prévias”, informou.

Logo depois, a neurologista Andrea Anacleto, também do ambulatório da Unimes, falou sobre tratamento atuais e perspectivas para o futuro. “A neurologia atual utiliza biomarcadores para intervir diretamente na causa”, informou. Biomarcadores são características biológicas mensuráveis que indicam processos normais, doenças ou a resposta do corpo a um tratamento.  Dessa forma, conforme expôs a médica, o diagnóstico evoluiu da simples observação estrutural para o mapeamento químico e funcional do paciente. Entre os exames realizados estão a ressonância magnética para identificar tecidos e lesões estruturais, PET (combina tomografia computadorizada com a medicina nuclear) e tractografia (ressonância magnética mais avançada), para mapear a função e o metabolismo em tempo real.

“A tendência é a medicina de precisão genética, ou seja, um diagnóstico geral para o tratamento personalizado com base no DNA”, afirmou, unindo também o uso de inteligência artificial para aprimorar o diagnóstico e a condição do paciente.

A terceira palestra foi sobre qualidade de vida, com a fisioterapeuta Paola Freitas, integrante da equipe multidisciplinar da Alsapem. O tema foi centrado em atividade física, alimentação e saúde mental. “É essencial ter esse cuidado integrado, pois, mesmo cada diagnóstico demandar uma particularidade, sempre vai requerer esse tripé do paciente”, reforçou. A profissional também chamou a atenção para o devido tratamento, evitando recitas ditas “milagrosas”. “A alimentação saudável é a base para todos, mas não existe preparo ou alimento que tenha promessa de cura”, alertou, reforçando a responsabilidade do paciente na adesão tratamento médico e na rotina das terapias que envolvem todo o processo, como fisioterapia, atividade física, nutrição, apoio psicológico, entre outras.

Por fim, a pedagoga e diretora voluntária da Alsapem, Lilian dos Reis Santos, professora aposentada pela Prefeitura de Cubatão, trouxe a sua experiência de vida convivendo com a esclerose. “Eu era considera a ‘criança esquisita’. E quando tive os primeiros sintomas na adolescência, associavam a uma possível desnutrição, como se eu não me alimentasse direito”, relembrou. O diagnóstico veio em 2018, aos 42 anos. “É importante que o profissional tenha empatia, pois eu também cheguei a ouvir que eu estava mal ‘por ter brigado com o namorado’”, declarou, reforçando que também encontrou profissionais que a acolheram. O relato ocorreu quando ela teve paralisia facial. Entre os sintomas já sentidos, especialmente em tempos de crise, estão fraqueza muscular e desequilíbrio.

O simpósio terminou com uma apresentação da cantora lírica Gabrielle Agura, também diagnostica com EM, que aproveitou para compartilhar um pouco de sua experiência.

A Prefeitura de Cubatão está alinhada aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Esta iniciativa integra o caminho proposto para efetivação da Agenda 2030: ODS 3 – saúde e bem-estar; ODS 10 – redução das desigualdades; ODS 17 – parcerias e meios de implementação.

 

Texto: Secom Cubatão/MA

Fotos: Secom Cubatão/TJ